

Como todos nós, a nossa vida e o desenrolar da nossa vida, o tédio do cotidiano e das coisas óbvias do cotidiano, acordar, dormir , trabalhar, comer, amar, ouvir, perdoar, fazer compras, sempre em segurança, sempre tudo tão suave e lento e triste, a vida que tão fragilmente construímos, a vida comum, a vida possível de ser vivida, mas junto com isso, sempre uma sombra, esse desequilíbrio, essa possibilidade. O caos está sempre à nossa espreita, a qualquer instante, porque somos nós que o carregamos, sempre a espera, a esperança secreta de que algo finalmente aconteça, que algo aconteça e nos impulsione, em direção a quê?, ao que ansiávamos, ao que temíamos, o que nunca tivemos coragem de pronunciar."
Flores Azuis, Carola Saavedra